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1 de outubro de 2011

Chuva.

Meu melhor amigo um dia disse que quando tomamos banho se chuva brincamos de ser humanos, já faz um tempo que não chove por aqui, sempre que o tempo se fecha parcialmente ficamos os dois esperando freneticamente aquela gota de chuva que nunca vem, esperando para reviver momentos como os que estão guardados na memória. Correndo pelas ruas vazias, enquanto imensos pingos de água gelada caem em nossa pele, brincando um com o outro em plenos 17 anos, dando risadas, ficando ensopados de uma alegria sem igual. 

27 de abril de 2011

Vazio.

Ela não usava pulseiras , marcas de cortes e queimaduras enfeitavam seus braços.
Ela não aguentava mais as brigas em casa, nem o cigarro que antes a entorpecia fazia mais efeito. Ela não sentia nada, então, na tentativa de voltar a sentir, se agarrava a lâmina que havia retirado de um " gilette" , e a forçava contra sua pele, cada dia mais fundo. Os gritos que antes soltava nas brigas, sumiram. As unicas coisas que saiam do seu corpo eram sangue e lágrimas.
 Ela fazia de tudo para fugir do vazio que a ia comendo lentamente, mas a dor era a unica coisa que surtia efeito.  Mais alguns cortes, ia para o banheiro, se lavava e lá chorava. Chorava tanto que chegava a um ponto que ela nem se quer percebia as lágrimas lhe caindo do olho, se misturando com a água que lhe limpava o corpo vazio, só as percebia, quando seu gosto salgado chegava-lhe a boca.
Ela não comia mais como antes. Começou tirando o jantar, e depois o lanche, agora só tomava café da manha e almoçava, pouca coisa.
A questão era, ela se maltratava, tinha amor a vida dos outros mas nenhum a sua própria. Queria morrer, queria tanto morrer que lhe doia quando um carro passava e ela não estava possicionada a sua frente.
Mas poucas pessoas sabiam disso. Poucas pessoas realmente a conhecia.
Por fora, ela era a menina que ria com os amigos das coisas mais idiotas do mundo, a menina do cabelo estranho e uma blusa de frio que não lhe saia do corpo (para cobrir suas marcas). só. Mas por dentro, ela tinha muitos piercings e tatuagens, ela tinha uma casa onde morava com os amigos.
Ela não era nada além de esperanças dilaceradas, de sonhos destruidos, ela era pura e simplesmente VAZIA.
E quando o vazio a consumiu, ela não tinha mais pelo que suportar aquilo que chamam de vida. Então pela primeira vez, ela fez algo por ela. Atirou-se na frente de um carro, que vinha tão rápido que atirou seu frágil e vazio corpo, do outro lado da avenida. E quando recolheram seus restos mortais, curiosamente seu rosto estava intacto, e viram nela algo que a muito lhe era desconhecido. Um sorriso.


                             "Uma vez que o vazio faz parte de você, ele jamais te deixa por completo."

22 de abril de 2010

Vodka, Lista, Risos , Melhor amigo

Tudo começou com uma lista de coisas a fazer antes de morrer, um melhor amigo (o meu melhor amigo), bastante risadas e algumas doses de vodka !
 Estavamos na casa de um outro amigo, riamos loucamente, enquanto eu tentava algumas notas desafinadas no violão e meus amigos baixavam algo no computador ! Depois de um tempo fomos beber, depois de algumas doses, meu melhor amigo perguntou " me ajuda a tirar um item da minha lista ? " eu sorri, achando que era brincadeira , mas ele continuou " fica comigo, com vodka na boca ?" estavamos os dois rindo, eu realmente não sabia quem achava  a ideia mais estupida, mas como tudo o que faziamos nunca vez nenhum sentido nós tentamos .
  Foi o beijo mais engraçado da minha vida toda, a vodka corria por nossas bocas, escorrendo por nossas roupas, soltavamos risos um dentro do outro, e no fim, saimos rindo histericamente até onde pudessomos nos limpar.
 Eu podia jurar que iriamos ficar constrangidos, fiquei com medo de que houvesse alguma mudança entre nós, mas minutos depois saimos os dois de mãos dadas e cantando na rua, como antes, como melhores amigos !

16 de abril de 2010

A coragem de voar,

Penso frequentemente em como seria pular de um penhasco, sentir o vento arder em minha pele frágil, voar, sentir a adrenalina aumentar, voar, sentir o chão se aproximar, voar, sentir mais que tudo vontade de voltar, voar, querer viver, voar.
Mas sou covarde demais, medrosa demais, patética demais para desperdiçar uma vida, minha vida, a vida que não vivo corretamente, que não vivo intensamente. Eu só queria voar.
Pego-me parada diante de um penhasco, sinto meu sangue pulsar mais forte que nunca, sinto a coragem brotar , ando, caio, vôo, sinto-me bem, vôo, sinto o vento arder em minha pele fragil, vôo, sinto meu cabelo misturar-se ao vento, vôo, sinto a adrenalina tomar conta de mim, vôo, vejo o chão bem próximo, vôo, mas não quero voltar, vôo, sorrio, vôo e enfim, vivo !