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10 de junho de 2011

16 a idade perdida.

Verônica, 16 anos, trancada no banheiro com um cigarro acesso na boca, uma garrafa de bebida barata do lado e uma lâmina afiada sendo forçada cada vez mais fundo sobre sua pele branca.
Ela estava entorpecida, se lembrava de um ano atrás quando seus sorrisos ocupavam grande parte do seu dia, e suas preocupações eram banais. Se lembrava de quando nem mesmo sabia o que era "se cortar ", e de quando entrava em longas discussões sobre o quão ruim era fumar, ou quando via garotas de 16 anos bebendo e se drogando. Quantas vezes não as condenou ? Ela pensava que se casaria virgem, que jamais colocaria um cigarro na boca, e que só beberia depois dos 18 anos. Drogas ? Jamais isso se quer passou pela cabeça dela.
  Mas tudo havia mudado agora. Ela não comia, fumava, bebia, se drogava o dia todo. Tentava ocupar ao máximo sua vida vazia, mas nada surtia efeito por muito tempo. Ela estava ferrada, e sabia que não adiantaria correr disso.
 E ali ela ficou, com os únicos amigos que a restou. 
Acabou por dormir no chão do banheiro, que há algum tempo é o lugar ao qual chama de lar.

27 de abril de 2011

Vazio.

Ela não usava pulseiras , marcas de cortes e queimaduras enfeitavam seus braços.
Ela não aguentava mais as brigas em casa, nem o cigarro que antes a entorpecia fazia mais efeito. Ela não sentia nada, então, na tentativa de voltar a sentir, se agarrava a lâmina que havia retirado de um " gilette" , e a forçava contra sua pele, cada dia mais fundo. Os gritos que antes soltava nas brigas, sumiram. As unicas coisas que saiam do seu corpo eram sangue e lágrimas.
 Ela fazia de tudo para fugir do vazio que a ia comendo lentamente, mas a dor era a unica coisa que surtia efeito.  Mais alguns cortes, ia para o banheiro, se lavava e lá chorava. Chorava tanto que chegava a um ponto que ela nem se quer percebia as lágrimas lhe caindo do olho, se misturando com a água que lhe limpava o corpo vazio, só as percebia, quando seu gosto salgado chegava-lhe a boca.
Ela não comia mais como antes. Começou tirando o jantar, e depois o lanche, agora só tomava café da manha e almoçava, pouca coisa.
A questão era, ela se maltratava, tinha amor a vida dos outros mas nenhum a sua própria. Queria morrer, queria tanto morrer que lhe doia quando um carro passava e ela não estava possicionada a sua frente.
Mas poucas pessoas sabiam disso. Poucas pessoas realmente a conhecia.
Por fora, ela era a menina que ria com os amigos das coisas mais idiotas do mundo, a menina do cabelo estranho e uma blusa de frio que não lhe saia do corpo (para cobrir suas marcas). só. Mas por dentro, ela tinha muitos piercings e tatuagens, ela tinha uma casa onde morava com os amigos.
Ela não era nada além de esperanças dilaceradas, de sonhos destruidos, ela era pura e simplesmente VAZIA.
E quando o vazio a consumiu, ela não tinha mais pelo que suportar aquilo que chamam de vida. Então pela primeira vez, ela fez algo por ela. Atirou-se na frente de um carro, que vinha tão rápido que atirou seu frágil e vazio corpo, do outro lado da avenida. E quando recolheram seus restos mortais, curiosamente seu rosto estava intacto, e viram nela algo que a muito lhe era desconhecido. Um sorriso.


                             "Uma vez que o vazio faz parte de você, ele jamais te deixa por completo."

27 de fevereiro de 2011

Inspiração.

O sangue corre quente por minhas veias, minhas mãos digitão e apagam freneticamente ideias falhas, meus olhos fitão o monitor buscando uma forma de trazer de volta todas aquelas palavras que antes eram tão facilmente expressas. Falhamente.
Toda a minha inspiração morreu. As palavras sempre foram minha saida, meu modo de escapar de gritar de viver, e agora ela se foram, toda e completamente. Como aquela brisa fresca que te tras um frescor puro e lhe da aquela ilusória senssassão de frescor e liberdade e depois lhe deixa, esperando por sua volta, em vão.
Fico me perguntando onde esta minha inspiração ? minha imaginação ? Minha capacidade de me livrar do fardo do mundo real onde foi parar ? Eu quero de um modo gritante meu refúgio de volta para mim. Quero poder sentir algo que não seja o vazio e a incapacidade, outra vez.

25 de fevereiro de 2011

Vícios.

O cigarro, a bebida, a música são minhas maneiras de escapar do mundo real. Mas eu nunca os consumi de maneira desenfreada, sempre pude parar o quanto queria. Mas o consumo foi ficando frequente , e mais intenso. Hoje eu não sei sinceramente se consigo parar, ou se quero. Minha vida anda sem sentido algum, meu coração não bate mais com a mesma intensidade que antes, até minha razão está perdida. De pensar nessa situação me assusto. Estou assustada agora, como quase sempre, adeus, vou afogar meus medos em uma dose de wiskey e intoxica-loscom a fumaça de meus cigarros.

6 de outubro de 2010

She can not cry, because she knows that is weakness in your eyes !

Os dias passavam mas em seu coração a dor continuava a mesma !