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10 de junho de 2011

16 a idade perdida.

Verônica, 16 anos, trancada no banheiro com um cigarro acesso na boca, uma garrafa de bebida barata do lado e uma lâmina afiada sendo forçada cada vez mais fundo sobre sua pele branca.
Ela estava entorpecida, se lembrava de um ano atrás quando seus sorrisos ocupavam grande parte do seu dia, e suas preocupações eram banais. Se lembrava de quando nem mesmo sabia o que era "se cortar ", e de quando entrava em longas discussões sobre o quão ruim era fumar, ou quando via garotas de 16 anos bebendo e se drogando. Quantas vezes não as condenou ? Ela pensava que se casaria virgem, que jamais colocaria um cigarro na boca, e que só beberia depois dos 18 anos. Drogas ? Jamais isso se quer passou pela cabeça dela.
  Mas tudo havia mudado agora. Ela não comia, fumava, bebia, se drogava o dia todo. Tentava ocupar ao máximo sua vida vazia, mas nada surtia efeito por muito tempo. Ela estava ferrada, e sabia que não adiantaria correr disso.
 E ali ela ficou, com os únicos amigos que a restou. 
Acabou por dormir no chão do banheiro, que há algum tempo é o lugar ao qual chama de lar.

8 de junho de 2011

distantes mas próximos.

          Sua mãe a sacudiu levemente.
 " Filha, está tudo bem ? "
 "Sim mamãe " ela respondeu ainda sonolenta. " Por que me acordou ? "
 "Estava falando aquele nome outra  vez, e gritava, achei que fosse um pesadelo "
 " Eu não me lembro de nenhum pesadelo, estou com sono, vou voltar a dormir. Boa noite mãe. "
         Ela mentiu. Se lembrava com clareza do que havia sonhado, ela estava com ele, andando pela rua, ele a segurava em seus braços e ela podia claramente ouvir a música "Talking to the moon". Ele sorria, e ela não podia conter o sorriso também. Só os dois. Como ela sempre sonhava, mas esse era o problema, o único momento em que eles estavam realmente juntos era em seus sonhos, que acabavam por terminar mal, e ela gritava.
          Todos os dias eles conversavam horas e horas pela internet, mas nunca parecia ser o bastante. Ela ia dormir 2 as vezes até 4 da manha mesmo tendo que acordar as 6 para ir ao colégio, mas ela não ligava para o quanto dormiria, ou se ficaria cansada. Falar com ele a fazia sentir especial, amada. Ele realmente a amava. Amava faze-la rir, mesmo que pra isso tivesse de engolir sua dor.
          Era um amor verdadeiro e extremamente forte. Mas era um amor que doía mais que o corte de mil facas afiadas. Um amor separado por milhas e milhas. Um país de distancia.
          Mas nem mesmo essa cruel peça do acaso os faria parar, ou amar menos um ao outro. Eles estavam distantes fisicamente, mas suas almas estavam entrelaçadas desde o primeiro EU TE AMO.

1 de março de 2011

Amedrontada.

Tenho medo devo confessar. Medo de perder a unica coisa que foi a mim atribuida, a minha unica maneira de gritar meus medos e segredos. Minhas mãos se posicionam firmes, segurando fragilmente a caneta diante do papel em branco, e pela primeira vez, desde que aprendi o alfabeto, faltaram-me palavras. Eu não tenho nenhum talento especial, na verdade nem talento tenho, mas as palavras tinham um carinho especial por mim, assim como eu tinha por elas, e nós mantinhamos essa relação bonita, que agora me parece tão extinta. Já me peguei chorando a noite de tão amedrontada então me apego a vicios que me acalmam, cigarros, bebidas ... .Não posso perder minha amiga, minha companheira de horas dificeis e arco-iris. Mas creio que por enquanto, só me resta temer e esperar até que o tempo decida o meu destino.

27 de fevereiro de 2011

Inspiração.

O sangue corre quente por minhas veias, minhas mãos digitão e apagam freneticamente ideias falhas, meus olhos fitão o monitor buscando uma forma de trazer de volta todas aquelas palavras que antes eram tão facilmente expressas. Falhamente.
Toda a minha inspiração morreu. As palavras sempre foram minha saida, meu modo de escapar de gritar de viver, e agora ela se foram, toda e completamente. Como aquela brisa fresca que te tras um frescor puro e lhe da aquela ilusória senssassão de frescor e liberdade e depois lhe deixa, esperando por sua volta, em vão.
Fico me perguntando onde esta minha inspiração ? minha imaginação ? Minha capacidade de me livrar do fardo do mundo real onde foi parar ? Eu quero de um modo gritante meu refúgio de volta para mim. Quero poder sentir algo que não seja o vazio e a incapacidade, outra vez.

25 de fevereiro de 2011

Vícios.

O cigarro, a bebida, a música são minhas maneiras de escapar do mundo real. Mas eu nunca os consumi de maneira desenfreada, sempre pude parar o quanto queria. Mas o consumo foi ficando frequente , e mais intenso. Hoje eu não sei sinceramente se consigo parar, ou se quero. Minha vida anda sem sentido algum, meu coração não bate mais com a mesma intensidade que antes, até minha razão está perdida. De pensar nessa situação me assusto. Estou assustada agora, como quase sempre, adeus, vou afogar meus medos em uma dose de wiskey e intoxica-loscom a fumaça de meus cigarros.

16 de janeiro de 2011

Acordei atordoada, uma neblina densa cobria-me o corpo. Levei a mão a , estava molhado, olhei o líquido, era sangue, meu sangue.
Levantei-me com dificuldade, estava em uma floresta. Ao meu lado havia uma pá e um buraco.
Pequenos lapsos de memória vinham a minha cabeça. Eu estava deitada com Marcos, meu namorado, a gente havia acabado de chegar a uma cidade pequena, havíamos fugido. Ele dizia que me amava, mas eu não via emoções em seus olhos.
- Eu quero voltar.- Eu disse.
- Você não pode.
- Por que ?
- Roubei seus pais, roubei tudo. Eles nos prenderão se voltarmos.
- não acredito que fez isso. Vais devolver tudo.
- Eu preciso do dinheiro. Nós precisamos.
- Não. São meus pais.
Ele  sacou uma arma. Um barulho estridente machucou-me os ouvidos. Um tiro havia atingido minha cabeça.
Meio zonza, olho mais uma vez ao redor. Ando para frente e sem querer piso em espinhos, mas não sinto nada. Peguei alguns espinhos e forcei sobre minha pele. Não sentia nada. Meu sangue havia parado de fluir do meu ferimento na cabeça. Desesperada corri , até que atravessei uma árvore e percebi.
Eu estou morta. Fui assassinada pela unica pessoa que eu já amei, por causa de pedaços coloridos de papéis.

5 de outubro de 2010

I do not believe in fairy tales, not anymore

           Eu costumava brincar na rua com um vestido de roda, lembro-me que o vento me batia forte na face e esvoaçava meus cabelos longos, eu me via dançando com um príncipe encantado e nossa, isso me causava tantos sorrisos, eu me curvava e de repente você estava lá, perfeito em seu cavalo branco, descia se curvava, e ai beijava minha mão e me tirava para dançar.
          Eu me lembro de como era feliz nesses dias de brincadeiras e ilusões, mas não durava muito, eu olhava para baixo e a chuva caia ao chão, transformando a terra em lama, e sujando meus pés me mostrava a realidade imperfeita. Mas nem mesmo isso me tirava a magia desses momentos, eu continuava a sonhar acordada. Até que um dia eu cresci, e encontrei alguém, que eu julgava ser meu príncipe encantado, mas ele partiu meu coração, com tamanha frieza que me espanta apenas de lembrar.
          E hoje eu não acredito em cantos de fadas, não mais. E aquelas tardes mágicas de danças e cortesias  se tornaram em tardes reais a beira da minha janela, compartilhando uma chícara de café com o vento, que mesmo depois de toda essa desilusão continua fazendo das minhas roupas dançarinas e do meu cabelo um emaranhado de velhas lembranças.

14 de setembro de 2010

Sit, wait , and watch me die !

Seus olhos correm por meu corpo caido, um sorriso mórbido se forma em seus lábios, seu trabalho está feito você acabou com mais um alvo, devo-lhe meus mais sinceros parabéns ! O sangue escorre quente de meu coração partido, você me olha, estou fraca, mas reuno todas as minhas forças e sussurro :
- Sente, espere , e me asssista morrer ! E então abrirei mão de todos os meus segredos agora, não preciso de outra mentira perfeita, minha vida não durará o suficiente para me fazer arrepender. Você foi a única pessoa que eu amei, meu único motivo de seguir, foi meu único amigo, você era minha vida, e agora esta indo aos poucos com o fluxo da minha corrente sanguinea para fora do meu corpo, eis ai minha única verdade.
 O seu sorriso fica mais largo, você se senta, segura minha mão de leve e desta vez quem sussurra é você:
- Eu a amo.
 Eu sorri, o sangue escorria por meu corpo enquanto eu me entregava a morte, e ao sorriso de mais uma vez você ignorar o que eu peço, mas não me restando muito, me entrego a mais uma mentira sua.

13 de setembro de 2010

I’m forced to fake, a smile a laugh everyday in my life.


          16 anos, e continuo a mesma merda. Colégio, casa, alguns poucos telefonemas ao mês, muitas lágrimas, muitas carteiras de cigarro, e música alta. Minha vida se resume a isso. Minha família espera sorrisos, risadas, conversas entusiasmadas, então eu sou obrigada a fingir. Finjo não por querer, mas por ter preguiça de ouvir todas aquelas perguntas sobre o por que de eu estar triste, ou teorias patéticas sobre isso ser efeito da adolescência
           Forço os músculos da minha boca para cima, com todas as minhas forças, e o máximo que consigo é um sorriso amarelo, mas eles parecem não se importar, se apegam ao resquício de esperança e uma grande porção de ilusão, e se enganam na cara dura, que eu estou feliz,  que eu estou bem.
          Mas só eu, meus cigarros, minha música e meu canto escuro sabemos como me sinto, só nós sabemos o quão vazia eu sou, e quantas lágrimas uma garota pode derramar. O único ato que eu faço sem ter que forçar, é chorar, e isso, bem, é no que se resume grande parte dos meus dias.
          Meus amigos, me dão algumas risadas e uma brisa de sorrisos paira sobre mim quase sempre que eles estão por perto. Mas como uma boa brisa, ela se vai, e eu volto a minha nostalgia desses momentos com mais lágrimas nos olhos. 
         Essa merda, vem a ser minha rotina melancólica e patética, explicada com maior número de palavras que eu pude colocar. Fim. 

28 de junho de 2010

A minha fé esta abalada, eu não sei se acredito mais, eu não sei se tenho em que acreditar, vejo minha avó deitada na cama, sem saber nem mesmo seu próprio nome, justo ela que nunca fez mal a nenhum outro ser vivo, agora não consegue comer com as próprias mãos !
   Não me parece justo, NÃO É JUSTO ! Ve-la desse modo não passa perto de ser fácil. Agora ver o que isso causa em quem está ao meu redor, a minha mãe, as minhas tias, me desola. Ontem encontrei minha tia chorando no banheiro, eu a abracei forte, e ela desabou em meus braços, eu senti seu corpo cair sobre o meu por ja estar sem forças de lutar, e nem se quer uma lágrima eu derramei, eu havia chorado três dias seguidos, eu ja não tinha mais sentimentos, eu a via fraca, mas também não tenho forças, não tenho  força nem para chorar.
   Ouvi minha tia sussurar palavras, e perguntei o que era, ela disse :
 "estou pedindo a Deus para que cuide dela, para que a liberte " mas uma lágrima desceu por seus olhos e ela repetiu "Ele ira a libertar" . Ela me deu um beijo na testa e saiu com a cabeça erguida e enxugando as lágrimas de seu rosto ! Eu não conseguia entender de onde vinha tanta garra, eu não tinha nem mesmo vontade de respirar ,  me sentei recolhida em um canto, abraçando meus joelhos, e fiquei ali parada em um canto frio do banheiro, sem fé, sem forças, sem ESPERANÇAS !

21 de maio de 2010

Aquela garota

Sabe aquela garota que não é sua namorada ? Aquela que não é sua melhor amiga ? Aquela que você raramente enxerga, e que não duvido que nem o nome dela saiba ? Sabe aquela mesma garota que você suspeitava que te olhava demais - lembra que você pensava que ela tinha alguma coisa contra você -? Sabe aquela garota que depois de meses que você a via, veio falar com você ? Isso aquela mesma menina boba e ingenua que te olhava atentamente como uma criança vigia um sorvete, lembra-se de como você se sentiu estranhamente bem em ver que ela o notava ? Sabe aquela menina cresceu e hoje é feliz, mas ainda carrega em seu frágil coração uma paixão reprimida, por um certo garoto que ela gostava de olhar, mas que nunca lhe deu nenhum único sinal que a notava.

17 de maio de 2010

Adeus amor,

A chuva cai forte, a escuridão penetra o meu quarto, e a minha alma, lembro-me de quando estava parada chorando por um amor mal resolvido em um banco de uma praça da qual não me recordo, quando você sentou-se ao meu lado, dizendo que fora enviado para me proteger. Eu ri, achando que era mais uma cantada barata, eu estava enganada.

Você simplesmente segurou minha mão, e eu fui tomada por um sentimento tão doce que mal pude respirar, eu estava feliz, feliz como da primeira vez que ganhei minha primeira bicicleta, eu estava completa! Lembro-me que sorri e você me disse para não repetir isso, fiquei confusa, eu olhei em seus olhos, você desviou o olhar, disse que continuaria me protegendo, mas de longe.
Eu realmente não entendi, dias depois eu me vi sentada no mesmo banco da praça mas já não podia ver o seu olhar, um frio mórbido ecoou em meu estômago eu chorei, e percebi que eu o amava, eu amava o modo como apareceu repentinamente eu um dia triste e o transformou no mais feliz, eu amava o modo como havia mexido comigo, eu amava o jeito que você sorria e se assustava com meus olhos, eu amava os 20 minutos que passamos juntos. Eu amava você !
       Lembro-me do dia em que eu queria me matar por não te ter, lembro-me de pegar uma faca e pressionar sobre meus pulsos, lembro de tudo escurecer e de repente eu ver você, lindo como antes, ainda se assustava quando nossos olhos se cruzavam e isso me fez rir, segurei suas mãos , e você me pegou, vi assas surgirem de suas costas e senti o vento bater forte enquanto voávamos, apaguei, nunca soube se era real ou eu havia sonhado, mas eu o vi parado ao lado da maca no outro dia, eu não precisava de explicações.
Lembro que me deu um beijo na bochecha e sussurrou em meus ouvidos, " me desculpe por me apaixonar por você, eu nunca devia ter me aproximado" ainda zonza pela medicação eu sussurrei uma pergunta " por que ? " , " por que anjos não podem amar " , você saiu !
Lembro-me de quando olhei pela janela, e vi você entre as gotas de chuva que inundavam seu corpo, a sua imagem vindo em minha direção me invade a cabeça, lembro-me de que fui até a janela e você escreveu ADEUS , e colou sua mão no vidro, eu coloquei minha mão sobre a sua, e grandes asas brancas surgiram de suas costas, você voou, me deixou, de novo.
Hoje estou aqui, olhando mais uma vez pela janela em uma tarde chuvosa, coloco minha mão sobre ela, sinto vontade de correr para fora e me encontrar em seus braços, mas você não esta lá, você desapareceu junto ao seu breve recado de 'adeus' escrito a dedo, no vidro embaçado de minha janela . E eu fiquei sem saber se era um sonho, mais de uma coisa eu tenho certeza, você foi real o bastante pra me fazer te amar, como nunca amei ninguém, e provavelmente não amarei.

4 de maio de 2010

aquela a quem eu chamo de minha !

Vejo-me perdido novamente em meus surtos imaginários, seria tão mais fácil se tudo se adaptasse ao meu modo de ver as coisas, se eu pudesse simplesmente gritar ao mundo todo o que eu sinto, chorar, e sorrir sem ser julgado, sem toda essa pressão, sem câncer !
Não creio que esteja com medo, bem, não sei ao certo o que estou sentindo, mas não parece medo, um certo alívio talvez, mas não devia sentir alívio, o fato de não ter mais que 1 ano de vida não é um bom motivo para estar aliviado. Mas talvez, talvez seja isso, talvez eu mereça e queira morrer.
Algo me arranca com uma força brutal de meus pensamentos, eu havia derramado minha dose de wisk, minha blusa estava encharcada, eu comecei a rir, pensando o quão patético estava eu, parado ali , em meio a um bar no subúrbio de uma cidade badalada, perdido em pensamentos vãos, com um ano de vida e uma blusa cheirando a álcool. ri, mais uma vez.
Foi quando olhei para a entrada do bar, e à vi, ela entrou no bar com seus longos cabelos ruivos, encaracolados , maquiagem pesada, roupas pretas, uma bota de cano alto, também preta e com alguns detalhes em correntes, uma luva que subia até o final dos pulsos, uma meia calça rasgada. Ela não podia ser real, era a imagem mais perfeita que eu já havia visto, nada podia se comparar a ela, eu queria olha-la para sempre, queria toca-la e ama-la, queria chama-la de minha!
Ela entrou sentou-se em um canto escuro, sua pele branca era iluminada por um feixo de luz que a alcançara em seu refúgio, era como se eu tivesse voltado, antes do meu diagnóstico de câncer, antes de tudo perder o sentido, quando eu ainda enxergava beleza nas coisas, como era possível com apenas a imagem dela eu me sentir tão bem ? me sentir tão vivo ?
Eu sentia as horas correrem como se fossem segundos, ela mal se movera desde quando chegou , parecia uma estátua, um anjo negro, minha salvação, meus olhos não conseguiam não olha-la. O relógio marcou uma nova hora, haviam 3 horas que ela estava ali, ela moveu a cabeça levemente para a direita para poder enxergar o relógio, seus longos cabelos ruivos mexiam como pequenas ondas. Ela se levantou e saiu, eu a olhei sair, sem fazer nada, impotente outra vez, eu não havia lutado contra o câncer e nem contra o amor, os dois haviam vindo e se alojado em mim , extinguindo todas as coisas boas que eu já senti um dia.
Chamei o garçom, perguntei

- Ela vem sempre aqui ?

- Desde que descobriu o câncer

- Ela tem câncer ? - perguntei sentindo meu coração bater tão forte que comprimia meus pulmões.

- Não, ela diz que sonhou que um homem precisava dela, ela sonhou com ele aqui, e desde então vem aqui todos os dias, fazem 3 meses, a mesma hora, esperando pelo homem, acho que ela esta louca...
Ele continuou a falar, eu já não podia ouvir, meu sangue pulsava forte em minhas têmporas, fora a 3 meses que eu havia descoberto o câncer. Ela havia sonhado comigo, e vinha aqui a minha procura , ela vinha aqui por mim! - Eu sorri, enquanto lágrimas quentes escorriam por meu rosto.
O dia passou lentamente, não consegui dormir, assim que deu 5:00 horas, eu corri para o bar, ela chegou as 6:00 como ontem, com a mesma maquiagem pesada, e uma roupa preta, ela se sentou no mesmo lugar, imóvel. Fui até a mesa, sentei-me, abri a boca para falar algo, não sei o que, nenhum som saiu, tentei outra vez, ela prensou seus dedos gélidos contra meus lábios, olhou nos meus olhos, ela chorou, eu chorei. Segurei sua mão com força, a puxei para mim, a abracei, ficamos assim, como se fossemos um.

- Me desculpe. - Ela murmurou com a cabeça ainda sobre meu peito

- Desculpar-te ? você me fez voltar a viver, quando eu já havia desistido.

Ela chorou mais uma vez. - Eu esperei por você

- Eu sei - Disse sorrindo - obrigado
- Não quero que morra.

- Sonhou que eu ia morrer?

Ela chorava sem parar, balançou a cabeça que sim.       

- Sabe, eu não me importo, por que mesmo que eu morresse agora, tudo teria valido a pena , desde o momento em que você entrou por aquela porta

- Sonhei também, que você me chamava de sua.

- Não quero te prender a mim, não quero que seja minha para que depois se machuque com a minha morte.

- Minha vida se tornou você, tive certeza disso quando você sorriu, eu sempre fui sua. Eu te amo.

- Eu te amo . - minha menina, daqui até a eternidade.

Colei meus lábios nos dela e sussurrei,- eu sou seu



3° lugar - edição músical - estou tãooo feliz (:

1 de maio de 2010

entre sorrisos desconcertados,

          Dois anos se passaram desde o dia em que te perguntei as horas na entrada do metro, desde o dia em que me apaixonei por seu sorriso desconcertado, desde aquele dia em que a chuva levou os estilhaços de uma paixão repentina.
         O fato de todos os dias desde aquele a dois anos atrás eu ter pegado o mesmo metro, a mesma hora, com o mesmo garoto do sorriso desconcertado e um relógio gasto, e sempre perguntar as horas, fazia com que cada dia mais eu me viciasse nele, me fez amá-lo, simplesmente por ser como é.
        Lembro-me claramente de uma segunda-feira nublada, em que meus olhos o procuraram de modo desesperado, em vão, e foi assim no dia seguinte e seguinte, passaram-se alguns meses e meus olhos não desistiram de te achar, novamente, em vão.
         Me perdi nas lembranças, e agora estava atrasada para o metro - o mesmo de dois anos atrás - , corri o mais rápido que pude, e quando entrei um senhora me virou, e perguntou-me ao me mostrar uma foto : 
- Me desculpe mocinha, mas é você não é ?

- Sou sim - respondi analisado a fotografia , onde eu estava aqui nesse mesmo metro, mas eu não parecia a mesma, eu estava feliz.

- Eu achei essa foto nas coisas do meu neto, bem tem muitas outras.

- Quem é seu neto ? - perguntei confusa
           Ela me mostrou uma foto do meu menino, de sorriso desconcertado e um relógio gasto que tanto me era útil todas as manhãs, eu chorei, desabei.


- Calma minha menina, ele não ia querer te ver assim.

- O-o que houve ? - perguntei entre os soluços do choro mais puro da minha vida.

- Ele esta em coma, sofreu um acidente, a dois anos atrás, vão desligar os aparelhos hoje. E quando te vi aqui ontem, lembrei-me dessas fotos, e achei que ele ia querer que eu te entregasse isto antes de morrer.- Ao pronunciar a ultima palavra sua voz frágil e rouca tremeu. Ela me estendeu um bilhete.

Meu nome, eu te, Bem, São 05:00 horas agora, não consegui dormir,
por que não aguento mais esconder o que eu sinto por uma certa garota de all star surrado e um sorriso desconcertado que faz meu coração bater mais forte. Hey garota, eu te amo.

      Nem mesmo digeri o que estava escrito, o metro parou, eu desci a avó sussurrou o nome do hospital, entramos em um taxi, quando cheguei no hospital, corri como nunca havia corrido antes. Ele estava lá, dormindo, gelado, haviam desligado os aparelhos. Colei minha boca na dele e sussurrei entre seus lábios:
- Hey, garoto, eu te amo.
        Ouvi um grito abafado de ' não ' ,vindo daquela simpática senhora que eu havia conhecido a poucos minutos no metro, enquanto meu corpo vazio cai da janela do 5° andar .

31 de março de 2010

He calls me baby girl

Ele me chama de garotinha



Tinhamos quase a mesma idade , mas mesmo assim ele me chamava de garotinha, eu morava no Brasil ele nos Estados Unidos, ele queria deixar tudo para se mudar para meu país, eu não podia deixar ele arruinar a sua vida.
Conversamos 3 horas seguidas tentando achar uma solução, ele chorou, eu chorei, ele gritou , eu o acalmei, e assim ficamos um com o outro sem decidir nada no fim. Eramos apenas adolescentes, não podiamos ter tanto a decidir, mas o amor não escolhe idade nem local, só aparece levando contigo toda a paz.
Não decidimos nada no fim, nem ele sabe se vem nem eu sei se vou, mas ele chora e eu também choro por um amor mais forte que o comum e mais distante que o desejado. O amor entre um americano e uma garotinha !